Preço da arroba do boi deve se estabilizar em novo patamar em 2020

Preço da arroba do boi deve se estabilizar em novo patamar em 2020

No final de 2019, o preço do bovino atingiu patamares impressionantes, batendo recordes nominais e reais. O setor, que iniciou aquele ano com a arroba sendo negociada a R$ 149, fechou o ano com as cotações batendo em R$ 231. As exportações deram suporte a esta valorização. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), os volumes embarcados em 2019 alcançaram 1,8 milhão de toneladas, proporcionando receita da ordem de US$ 7,59 bilhões, recorde de volume e também de faturamento. Um crescimento de 12,4% e 15,5%, respectivamente, em relação ao ano anterior, segundo a entidade.

A China, principal destino da carne brasileira, foi responsável por 26,7% do total exportado pelo Brasil. Atrás dela vieram Hong Kong, União Europeia (UE) e Egito. Porém outros compradores se destacaram, como os Emirados Árabes Unidos, que dobraram o volume embarcado em 2019. Se em 2018 o país importou 36,8 mil toneladas de carne brasileira, no ano seguinte foram 71,3 mil toneladas.

Esse movimento de alta animou pecuaristas de todo país e mexeu com as estratégias de criadores e frigoríficos. Porém, passado o momento inicial, este mercado voltou a se ajustar e hoje a arroba do boi vem sendo negociada no Paraná na casa dos R$ 180. Mesmo que ainda seja um valor considerado atrativo, a situação suscita um questionamento pertinente: para onde vai a arroba do boi?

Vale lembrar que os bons resultados amealhados no último trimestre de 2019 não representam necessariamente um resultado inédito. Existe um efeito sazonal de mercado – marcado pelas festas de final de ano, pagamento do 13º salário, e consequente aumento de consumo – que eleva a demanda pela carne bovina, fazendo pressão para a subida de preço. O que ocorreu no ano passado é que, somado a este efeito, houve demanda adicional do mercado internacional, principalmente da China, que em setembro habilitou novas plantas industriais brasileiras para exportação.

“Em geral, temos preços maiores no segundo semestre e os picos de preço em meados do último trimestre. A oferta de gado no pasto fica escassa no segundo semestre, entra o gado de confinamento, que é mais caro, e diminui a oferta disponível no mercado spot”, explica o médico veterinário e consultor da Scot Consultoria, Hyberville Neto.

Na avaliação do consultor, o cenário é positivo para o setor em 2020, por conta de três fatores principais. “Nossa expectativa é de que o mercado trabalhe firme ao longo do ano. Existe uma perspectiva positiva em relação ao consumo doméstico, que deve se recuperar. Além disso, esse é um ano de retenção de fêmeas no ciclo pecuário, o que diminui a oferta de animais como um todo. Por fim existe a expectativa de a China continuar comprando bastante”, observa o consultor.

“Voltar aos preços do começo do ano passado, sem chance. Provavelmente, teremos a arroba rondando a casa dos R$ 200. Mas só teremos uma ideia mais clara do comportamento do mercado após o Carnaval, quando o consumo aumenta”, avalia. “O aumento ocorrido a partir do segundo semestre do ano passado foi recuperação de preços, que estavam defasados havia quatro ou cinco anos”, destaca.

Além de acompanhar o mercado interno, Botelho aponta que o pecuarista brasileiro deve continuar de olho no desenrolar de acontecimentos externos. Um dos focos é a China, que, assim como outros países do Oeste asiático, enfrenta uma crise de peste suína que dizimou a maior parte do rebanho, e que passa por um surto de coronavírus, que pode impactar a capacidade produtiva do país. Outro ponto de interesse é a Austrália, um dos grandes players internacionais na bovinocultura. Acometido por incêndios, o país da Oceania teve seu potencial produtivo reduzido.

“Tudo isso vai impactar no preço da arroba. Por causa dessas crises, a China deve ter um crescimento menor, o que faz a gente pensar que o consumo também vai crescer um ritmo menor. Mas, ao mesmo tempo, esses problemas sanitários provocam o aumento da demanda. Então, a China é uma incógnita. A gente tem que acompanhar”, diz o presidente da CT de Bovinocultura de Corte da FAEP.

Apesar disso, Botelho lembra que o pecuarista de corte do Paraná está menos suscetível às oscilações do preço da arroba. Isso porque, em essência, o Estado produz uma carne bovina de altíssima qualidade, mais voltada ao consumo interno e aos mercados internacionais mais sofisticados – que primam por cortes mais nobres.

“O preço da arroba é um balizador, mas nós [produtores do Paraná] estamos menos suscetíveis em relação a produtores de outros Estados, que produzem uma carne ‘normal’”, observa

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